





A minha casa é o meu forte, o meu abrigo, a minha protecção, a minha alma, o meu mais profundo repouso e o meu pulsar energético. Não há como a minha casa, nela me espelho e me revejo, para o melhor e para o pior, é ela que me alenta e alimenta, me acolhe os estados de espírito e nutre, suavizando as arestas em mim criadas pelo mundo. Esta casa que é o meu refúgio, que não é ainda a completude do que sou e quero, mas que me envolve do silêncio e mistério da terra, da escuridão do útero, onde tudo o que é vida germina e cresce. A minha casa é a minha gruta de eremita e nela escuto, como Elias, a voz da brisa que sopra. E assim enterro o que em mim é morto e renasço para a vida. A cada dia.

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