Tuesday, March 31, 2009
"tu és a resposta esfregada na cara dos filhos da puta que me disseram que a vida não podia ser cinema."
Eu peço mil perdões (e creio-me já perdoada), mas vou ter de transcrever este poema, esta carta, neste blog, a bem da minha sanidade mental. Para que, durante uns tempos, o fluxo de caracteres invada violentamente a minha retina e se grave, qual tatuagem, indelevelmente na minha massa cinzenta...
Obrigada L.
quero repetir-te mil vezes o que já sabes
que te quero
que te amo com o corpo todo
quero dizer-te
que tu és mais do que aquilo que eu te empresto (e eu nunca soube o que isso é).
quero dizer-te
que gosto muito de discordar de ti
quero dizer-te
que o que vale a pena nasce da tua boca.
quero beijar-te até a língua ficar cansada (a minha e a tua)
quero beijar-te depois da língua se cansar
quero morder-te o lábio com força e vê-lo sangrar (de tão real que és...)
quero que saibas
tu és muito mais do que aquilo que eu te empresto (e quão fantástico é isso?)
és o meu almoço
és os nossos banhos
és os teus medos e os meus
és a minha desculpa para deixar de sentir culpa
quero dizer-te
que gosto do teu corpo e do teu cheiro
gosto daquilo a que sabes
que faço de olhos abertos aquilo que podia fazer de olhos fechados
quero dizer-te que estar contigo é bom
é muito bom (onde estão os adjectivos?)
é um filme de domingo à tarde e pornografia barata
é aquelas merdas todas que me disseram que era suposto ser e mais qualquer coisa que não sei (não sei, não. não quero, não me apetece) identificar
quero dizer-te
tu és a resposta esfregada na cara dos filhos da puta que me disseram que a vida não podia ser cinema.
(e eu que quase acreditei nesses cabrões...)
quero que saibas
que contigo, supero-me
venço-me e derroto-me todos os dias (e não há nada de luta nisto)
quero dizer-te
que quero fazer as vezes de todos os que vieram antes e dos que hão de vir depois
quero ser o que vem depois de mim
quero fazer-me essa gente toda.
quero dizer-te
eu não te empresto nada. tu és. o que te ofereço é porque quero.
eu não te empresto nada.
tu já eras o mundo inteiro antes de mim.
foda-se,
foda-se,
é mesmo verdade.
de tudo aquilo que descobri de mim, tudo aquilo que descobri que sou, que quero, que está errado no que sinto como certo,
descobri que
não preciso de estar triste, carente, de estar no limbo, alterado, cheio de químicos, de fazer-me outro, de discussão, de música aos berros, de subterfúgios manhosos, não preciso dessa tensão...
porque na verdade...
o amor dá-me tesão.
in As Pequenas Coisas Secundárias
Coisas da Casa...






A minha casa é o meu forte, o meu abrigo, a minha protecção, a minha alma, o meu mais profundo repouso e o meu pulsar energético. Não há como a minha casa, nela me espelho e me revejo, para o melhor e para o pior, é ela que me alenta e alimenta, me acolhe os estados de espírito e nutre, suavizando as arestas em mim criadas pelo mundo. Esta casa que é o meu refúgio, que não é ainda a completude do que sou e quero, mas que me envolve do silêncio e mistério da terra, da escuridão do útero, onde tudo o que é vida germina e cresce. A minha casa é a minha gruta de eremita e nela escuto, como Elias, a voz da brisa que sopra. E assim enterro o que em mim é morto e renasço para a vida. A cada dia.
Monday, February 23, 2009
Utilitarismo
We are so obsessed with doing that we have no time and no imagination left for being. As a result, men are valued not for what they are but for what they do or what they have - for their usefulness.
Thomas Merton
Thursday, February 19, 2009
Máxima
O Tempo é o espirro da Eternidade. Nós somos as bactérias. Estamos ligados pelo ranho da existência. Amemos os espirros e voltemos à Eternidade!
Filomena Amaro
É bom saber as prioridades. Ora, eu cá tenho sentido um crescer na minha preferência em transcender os espirros e aceder à Intemporalidade. Há quem prefira continuar a batalhar no ranho de forma inglória, constatando a existência do mesmo, criticando o mesmo, combatendo o mesmo utilizando as mesmas armas, continuando assim a inefável e inevitável produção de ranho. Se queremos transfigurar a realidade, é altura de imitar a flor-de-lótus e emergir do lodo.
Wednesday, January 28, 2009
Demência...
Acabo de tentar tomar duche de óculos...
E só dei por isso porque o cabelo molhado parecia estar demasiado preso junto das orelhas... Pois... Eram as hastes...
Ri-me para não chorar, que já me basta estar taralhoca.
P.S. As cenas dos próximos capítulos devem incluir a minha tentativa de tomar duche completamente vestida...
E só dei por isso porque o cabelo molhado parecia estar demasiado preso junto das orelhas... Pois... Eram as hastes...
Ri-me para não chorar, que já me basta estar taralhoca.
P.S. As cenas dos próximos capítulos devem incluir a minha tentativa de tomar duche completamente vestida...
Thursday, January 15, 2009
Considerações acerca de 2009 - III
Uma das coisas boas que costumo fazer para estrear o novo ano, é pregar-lhe com o meu aniversário na terceira semana de Janeiro. Assim, um misto de despachar a coisa e aproveitar a euforia que toma conta de nós com o início da novidade, nem que seja um ano que se prevê nada diferente dos anteriores. Razão tem o Ricardo Araújo Pereira que, em crónica de ano velho, constatava o facto de estarmos em crise desde 1143. Mas isso é outra conversa...
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